sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mais. E que venham mais 18, e mais...

Ela, a pequenina menina com sabedoria de grande mulher. Entre sopros e choros cresceu de forma doída e quase obrigatória. Caiu 7 vezes e se levantou 8. Sorriu quando outros certamente chorariam. Despejou água dos olhos enquanto muitos esbanjavam olhares sorridentes. Sentiu de forma inimaginável e intransferível. 
Fez alegria, trouxe brilho, foi a melodia, a presença, a dificuldade, a palavra, o ombro amigo, a ponte para curar distância e a lembrança para criar saudade.
A moça de quem falo, é o exemplo que lhe exponho. Porque essa moça, meu caro, é só uma menina de olhos marcados por interiores que só ela conhece. É uma mulher firmada pela vontade de ser mais. Mais cura na dor, mais emoção na frase, mais razão no ato, mais presença na saudade, mais refrão na luz apagada, mais consolo na lágrima, mais orgulho na família, mais lembrança nos amigos, mais amor no certo, mais força no incerto, mais realidade no plano, mais união no que se ama, entre tantos outros mais, acompanhados de um único porém: ela só não sabe que já é essa soma, essência e muito mais.
Completa hoje os 18 anos que internamente já são mais que completos. Lhe parabenizo por ser mais que presença em mim. Por ser amiga, exemplo, consolo, felicidade e o 'mais' da minha vida. Obrigada por me permitir fazer parte dessa comemoração e dessa montanha russa gigante que as vezes sua vida se torna.

Feliz Aniversário! 


À menina do olhar forte e sorriso bonito. À amiga exemplo, conselheira, e todos os outros clichês necessários.
À Paula Hortência. Pequena mulher, flor do meu jardim.
O amor pode esperar onde a razão seria desespero! Espero ser amor na sua vida, como você é na minha.
E que venham mais 18 e mais, e mais, e mais...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tem. E o vento soprou. Tinha.

E então o vento soprou e os levou embora. Dissemos que não iriam. Prometemos. Mas o vento foi forte demais. Levou-os. Tem uns retratos na estante, no quarto, nas paredes e nos cadernos. Eles sorriem pra mim. Tem umas músicas nas pastas, nos fones, nos lugares, e elas puxam coro da trilha mais bonita. Tem uns momentos na memória, uns nós na garganta, uns acordes no violão, umas frases na ponta da caneta, uns bilhetes nas caixinhas, uns objetos espalhados, olha, veja só... Tem até borboleta aprendendo a voar, botão virando flor...
Tem uma saudade no peito que aperta, tem aquela briga que não terminou. Fica mais um pouquinho... tem aquela fala que a gente guardou. Tem aquela história que a gente não contou. Senta que na próxima curva tem aquele senhor que se estressou. Tem uma blusa emprestada, uma maquiagem borrada, uma noite sem dormir.
Tem aquele papo sem conclusão, conselho sem razão, chuva sem proteção. Tem aquelas bagagens no banco da estação. Ih, olha lá... Risos descontraídos, provocados, ameaçados, contidos. Tem aquela lágrima que rolou pro abraço que desabrochou. Tem solo em conjunto. Conjunto só. Tem paradoxo, redundância e contexto. 
Tem gente que lembra, tem gente que esqueceu. Tem mensagem inesperada e inesperada ausência. Tem prosa, tem rosa, tem verso. Tem canto, linha e tinta.
Tem memória e suas proezas e apetrechos. O resto o vento soprou. Eu sei, prometemos. Mas o vento soprou.


Escrito como prosa solta. Como quem senta em alguma beira -seja do mar ou da vida- com um amigo, sem preocupação.
Ninguém oferece gramática sem poesia, para receber canção em verso.
Aos momentos soprados. Às ocasiões guardadas. À tinta da memória. À retrospectiva.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Retratos vivos

Ela, já uma senhora. Vestia um macacão vermelho, uma bolsa lateral e carregava uma flor nos cabelos. Brincos longos, anéis bonitos, unhas bem feitas. Talvez aparentasse mais idade do que a quantidade de velas que soprara.
Ele, também um senhor. Camisa xadrez azul, botinas, boné. Compartilhavam um fone de ouvido e umas palavras em meio a alguns risos. Não eram aparentemente belos, mas carregavam beleza no olhar sonolento e decepção em suas histórias que, porventura um dia se cruzaram e por algum motivo os levou àquele banco num trem onde, entre conversas e sins, serviam-se da mais agradável companhia até o fim da viagem.
Aqueles jovens senhores eram retratos de um cotidiano.


Aos retratos vivos de um cotidiano comum.
Aos contrários, avessos, incertos, recomeços.
À rotina, ao verbo solto.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Herói

Cresci vendo crianças acreditando, admirando e gostando de super heróis. Nada mais comum do que vê-las vestindo capas e roupas dos seus personagens prediletos. Eu também acredito em super-herói. E fantasia alguma se compara ao cheirinho das camisas dele. Sem contar que ainda fico linda dentro delas, embora me cubram até metade da coxa e tenham largura suficiente para me cobrir como ele me cobre quando me abraça. E quando eu era menor, dava até para me encolher dentro delas e não passar frio depois de me ver sem blusa. Seus moletons e suas jaquetas sempre me deixaram com braços enormes e uma risada achando graça do novo figurino.
Que poderes ele tem? O super poder de voar para me socorrer, tem uma super visão que lhe permite saber quando algo está errado, o poder de me fazer rir com uma careta, me fazer bem com um abraço apertado e me desapontar com alguma reprovação. Tem o poder de cuidar de mim, de ver além para me alertar e de soprar cada vez mais velinhas sem envelhecer de espírito. Ele muitas vezes prefere se calar quando vê que o clima não está favorável a mais opiniões, e reprova, em silêncio,  as coisas que desestruturam a plenitude. Ele é sutil, simples, e vive a me ensinar que o silêncio é reflexão, observação...
O meu super-herói está apagando velas, acendendo esperanças e rejuvenescendo sonhos.

Feliz Aniversário Pai! Não importa o quanto eu cresça e você envelheça, vou ser pra sempre sua menina, e você... Meu herói!


Ao pai, amigo e herói. Eu te amo. ♥